Provérbios Provados noutras casas:

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Provérbio provado rimado - MCDXXV

És um estafermo obtuso
Cuja convivência recuso
Pois com gente da tua laia
Há que ficar de atalaia

És o tipo pior de teimoso
Tens um know-how duvidoso
Feito à custa de copianço
Por isso és um gajo tanso

Tu és tão burrinho que dói
Mas achas que és um herói
O mais hábil de todo o planeta
Começando pela tua praceta

Pensas que é coisa secreta
Seres uma fraude completa
Contudo eu cedo te topei
Quando a pinta te tirei



sábado, 24 de janeiro de 2026

Provérbio provado rimado - MCDXXIV

Não tens um pingo sequer 
De humanidade em teu ser 
Por dentro és composta de palha 
Da poeira que traz a limalha 

Praticas tanto o enxovalho 
No teu local de trabalho 
Onde empunhas um chicote
Fazes tudo andar num virote 

Nem és assim tão competente 
Mas isso ninguém o desmente 
Não articulas com cuidado 
O sujeito com o predicado 

Tu negas o que já afirmaste 
As certezas que mal praticaste 
Já que nunca confessas enganos 
Admitir não está nos teus planos 

Um viver assim tão solitário 
Só pode ser um triste fadário 
Pois exibes de aço um arpão 
No lugar desse teu coração 

Normalmente só usas gritar 
Por tu não saberes mandar 
O teu sonho é poder demitir 
Quem à norma não quer aderir 

Simulas um constante zelo 
E pretendes servir de modelo 
Mas és burra todos os dias 
Como é hábito das chefias 

Não arredas um pé do teu posto 
Revelando enorme mau gosto 
Só desejas poder alcançar 
O mais cimeiro patamar 

No entanto o teu medo maior 
É que não te atribuam louvor 
E que um dia lá na biblioteca 
Te descubram de vez a careca 


sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Provérbio provado rimado - MCDXXIII

Já sabes que gosto de ti 
Pois já uma vez to escrevi 
E até também já to disse 
Não penses que era tolice 

Apesar de não ter repetido 
Cada vez me és mais querido 
E sem que sobre isso discorra 
Gosto tanto de ti ai que porra 


terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Provérbio provado rimado - MDCXXII

Andaste a empatar-me 
Nos melhores anos da vida 
E sem fazer disso alarme 
Deixei-a ficar esquecida 

Para te fazer a vontade 
De tanto plano abdiquei 
Abdiquei da fertilidade 
E sequer contigo casei 

Depois de me teres despachado 
Não me querias para inimiga 
Puseste assim em marinado 
Uma história que já era antiga 

Até que um dia apareceu 
Uma fulana na tua vida 
Que a dita pois remexeu 
Querendo ser obedecida 

E tu sempre tão valente 
Tão firme das próprias ideias 
Quiseste ficar dependente 
Com ela paredes meias 

Pois no fundo a tua fantasia 
Era ser assim comandado 
E alinhaste com tanta alegria 
Em ser grande pau mandado 




sábado, 10 de janeiro de 2026

Provérbio provado manifestado

A situação não era de agora. A crise já tinha barbas. Eram alvas e suficientemente compridas.
Ainda assim, havia sempre quem acabava de lhe perceber a existência. De descobrir a evidência da crise e da ceifa que ia levando a cabo. Alguém que acordava de repente, assarapantado, para logo de imediato entrar num pesadelo, numa mistura de flashes realistas e contornos mal definidos, como é apanágio desse tipo aparentado do sonho.
De que serviam a manifestação, o apupo, o desacato, a desobediência civil? A crise estava para ficar: mais firme do que nunca, não tinha soalho por onde escorregar.

As pessoas juntavam-se nas ruas. Aleatoriamente em crescendo. E também em enormes grupos organizados que desenhavam cordões humanos rodeando os edifícios ministeriais. Gritavam palavras de ordem, vaiavam o governo, entoavam cânticos de protesto. 
Assim se comportava a maioria. Mas havia sempre indivíduos mais radicais para quem o combate não ia lá com flores e cantorias. Estavam muito zangados. Transportavam pedras e petardos que arremessavam. Lançavam pequenos explosivos caseiros. Chegavam a pegar fogo a pneus de autocarros para impedir a normal circulação nas principais artérias das cidades.
E, apesar destes comportamentos mais excessivos, as gentes manifestavam-se em união. As marchas de protesto traziam um sentimento de força renovada temperada com esperança. O futuro podia ser melhor do que o passado; era essa, aliás, a natureza do porvir: mais renovação do que repetição.

E onde estavam as forças policiais no meio de todos estes tumultos? Andavam no olho do furacão, fardadas e fadadas para acudir a qualquer emergência ou desacato, armadas até aos dentes num exagero de engenhos. Tal parafernália não deixava margem para dúvidas.
Os polícias não hesitariam em ripostar para travar qualquer acto mais aguerrido. Cumpriam o seu papel de garante da ordem, acatando ordens superiores sem se questionarem. 
Quando, eventualmente, nas raras ocasiões em que alguns se interrogavam no calor das barricadas, o seu instinto segredava-lhes que o lado de lá estava coberto de razão. Eram humanos, caramba, eram do povo, caramba!
No entanto, rapidamente, os pensamentos voltavam a encarrilhar-se-lhes e avancavam equipados de capacetes, escudos e coletes, munidos de bastões, gás lacrimogéneo e dardos de eletrochoque. Progrediam num formato de parede compacta para carregar nos manifestantes. Fracturavam membros e cabeças e faziam detenções de modo aparatoso. 
Os cidadãos eram alinhados no chão, o nariz no asfalto e os punhos rodeados por algemas. Os jornalistas e repórteres de imagem eram outros que, na sua sede de notícias, no meio da confusão, apanhavam porrada que fervia.

As manifestações chegavam a durar dias seguidos, as noites iluminadas pelas altas labaredas das fogueiras de pneus que projectavam os seus clarões nos edifícios.
Não é difícil concluir que os hospitais se colocavam em constante alerta. Médicos, enfermeiros, bombeiros e maqueiros não tinham mãos a medir. As ambulâncias não paravam de chegar.



- Entre mortos e feridos alguém há-de escapar 

Provérbio provado rimado - MDCXXI

A beleza sem inteligência 
Serve apenas de decoração 
Enfeite que não tem essência 
Abre a porta à desilusão 

Ao ter de optar entre as duas 
Que se exclua logo a beleza 
Pois dela estão cheias as ruas 
E a beleza não se põe à mesa 

É melhor escolher a segunda 
Já que a ignorância exultante 
Nada em si tem de profunda 
A mente é mais estimulante 


Provérbio provado rimado - MDCXX

Ainda não chegámos à Madeira 
Mas é esse o nosso destino 
Onde a situação derradeira 
Vai acabar num desatino 

O descontrole será total 
Os limites serão excedidos 
E por isso o mais racional 
É os mapas serem revertidos 

Não importa o plano primeiro 
Nem adianta fazer beicinho 
Talvez o acto mais certeiro 
É que arrepiemos caminho 


sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Provérbio provado rimado - MDCXIX

Por que entra o cão na igreja?
Por estar a porta aberta 
E quem ora ali só deseja 
Que aconteça a coisa certa 

Fiquem humanos com humanos 
E os animais com os animais 
Já que a mistura dá enganos 
Podem ladrar sobre os missais 

E por que sabe o diabo tanto?
Mais por velho do que por diabo 
Nem sequer reage com espanto 
Tudo imita ao fim e ao cabo 

Que não entre ele atrás do cão 
Para as beatas apoquentar 
Ou instala-se tal confusão 
Os santos vão cair do altar 


Provérbio provado rimado - MDCXVIII

Quem tem dinheiro tem parentes 
Em maior número que as mães
E todos lhe mostram os dentes 
Num disfarce de charlatães 

Que o rico é muito engraxado 
Limpam-lhe o cu e os sapatos 
E cobiçando o viver abastado 
Querem tanto mostrar-se gratos 

Pensam na vindoura divisão 
Já lhe vão engomando a mortalha 
Enquanto sonham com o quinhão 
Que querem garantir que lhes calha 




Provérbio provado rimado - MDCXVII

Ele saiu para ver o mundo 

Mas foi azar o que encontrou 

Com o pão que alguém amassou 

Tornou-se cedo um vagabundo 


Não fazia nenhuma ideia 

Do que almejava encontrar 

Mas sem parar de procurar 

Prosseguiu a sua epopeia 


Até chamou a alguns lugares 

Os seus cantos provisórios 

E que apesar de transitórios 

Fizeram as vezes de lares 


A meio caminho entretanto 

Desconfiou está bem de ver 

Que não basta só pretender 

E que se acaba o encanto 


Num belo dia de repente 

De pousar teve vontade 

Estava cansado na verdade 

De ser tão independente 


No fundo a essência verdadeira 

É ter-se livre o pensamento 

Que depende apenas do intento 

Não da condição forasteira 


Pondo isto tudo na cabeça 

Quis tornar à terra natal 

E assim para lá deu sinal 

Antes que dele se esqueça 


Festeja o pai festeja a mãe 

Festeja o filho regressado 

Neste desfecho afortunado

Tudo está bem se acaba bem 





quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Provérbio provado rimado - MDCXVI

Beber água não é pecado 
Ou teria um sabor ampliado 
Só o álcool é que inebria 
Traz descaramento e alegria 

Mas a história subsequente 
É ficar a pessoa dormente 
E fazer até juras eternas 
Enquanto não segura as pernas 

O melhor é ao lar recolher 
E as consequências esquecer 
Pois a ressaca ao acordar 
Trará muito remorso e pesar 

Há que ponderar a lição 
Para não haver repetição 
Que beber de barriga vazia 
Não é uma atitude sadia 

Então dar um passo primeiro 
Antes do segundo e o terceiro 
É agir com mais precaução 
Evitando assim admiração 

Tal como em qualquer documento 
Há que considerar o intento 
Não se deve beber sem comer 
Nem assinar nada sem ler 


Provérbio provado rimado - MDCXV

O teu Eu dá logo uma pista 
De que és um ser narcisista 
E pra mim já não é segredo 
A tua construção de enredo 

Tu tens uma forma de estar 
Que só serve pra evidenciar 
Um tal excesso de perfeição 
Que terás enquanto cidadão 

Acima de qualquer criatura 
Crês que fazes boa figura 
Mas é tudo tão premeditado 
O gesto é sempre ensaiado 

O teu tipo de mitomania 
Dá colo a toda a fantasia 
E com imaginação de sobra 
Tens umas atitudes de cobra 

Apesar de te creres importante 
Como a cobra és um rastejante 
Até o próprio Deus não te deu 
Umas asas para cruzares o céu 



Provérbio provado rimado - MDCXIV

O Luís arrecada um tesouro 
De trinta lingotes de ouro 
Não o usa porque tem temor 
Como se fosse outro o senhor 

Até pode gastar mas não quer 
O seu fito é apenas recolher 
E espalhar sovinice ao redor 
Do que ser pobre é bem pior 

Tal e qual um porco-mealheiro 
Largará a soma do dinheiro 
Quando o próprio Luís se partir 
E para debaixo da terra sumir 

Tão absurda é a sua situação 
Por esconder assim cada tostão 
Quando um dia lhe der o fanico 
O Luís vai então morrer rico 

É tão grande a sua avareza 
Viverá sempre na pobreza 
Por temer o futuro à frente 
Acaba por sofrer no presente

Ansiando pelo bolo completo 
O Luís só subsiste inquieto 
Não se acha nenhum avarento 
Que não viva num tormento 


terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Provérbio provado rimado - MDCXIII

À noite deves-te deitar cedo 
Para de manhã cedo erguer 
Todos sabem e não é segredo 
Dá saúde e também faz crescer 

Porém eu tão tarde sossego 
E escrevo madrugada afora 
Que mais pareço um morcego 
Que se esquece às vezes da hora 

Preciso de mais horas seguidas 
Para dormir o sono dos justos 
Deixando estas rimas esquecidas 
Para o corpo não pagar custos 

Contrario desta forma o ditado 
Deito tarde para cedo erguer 
E é tão fácil ver o resultado 
Faz um mal que não queiram saber 


Provérbio provado rimado - MDCXII

Se tu grandes ventos semeias 
Vais depois colher tempestades 
Diz o povo que só diz verdades 
Mesmo que tenhas outras ideias 

E apesar de não ser a estação 
Em que surgem os temporais 
Serão de tal maneira abissais 
Para que aprendas a lição 

Não sacudas mais as ventanias 
Aproveita a bonança que segue 
Deixando que o tempo sossegue 
Para que tenham paz os teus dias 


Provérbio provado rimado - MDCXI

O Gaspar é um sacripanta 
É pessoa assaz desprezível 
Costuma aclarar a garganta 
Pra dizer uma frase insensível 

O seu gesto é de rocha fria 
Não mostra qualquer expressão 
E quem o rodeia desconfia 
Que é de pedra o seu coração 

Agressivo e com mau fundo 
É capaz de ser um velhaco 
E também um sacana rotundo 
Nunca dando parte de fraco 

Se acaso encontro o Gaspar 
Penso que sentirá um vazio 
Não queria estar no seu lugar 
E mesmo no Verão sentir frio 


Provérbio provado num verso branco - CLIV

O ano velho dá lugar ao novo que é velho 
Porque do velho se faz novo continuamente 

As marés continuam nos seus saltos cíclicos 
Enquanto as ondas perdem conchas na areia 

Ao longo dos dias navegar à vista 
Sem instrumentos que meçam o vento 

De acordo com as várias limitações disponíveis 
Cada um é a pessoa e as suas circunstâncias


sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Provérbio provado rimado - MDCX

Vale muito a autenticidade 
E supera qualquer aparência 
Mais do que outra qualidade 
É instinto de sobrevivência 

Mostrar-se assim todo inteiro 
Não como os demais querem ver 
Vai expôr o ser verdadeiro 
Apesar do que quer esconder 

Neste circo de fingimentos 
É difícil para quem é sensível 
Ter de representar em momentos 
Ou então tornar-se invisível 

Agir como manda o figurino 
Proceder segundo um modelo 
Está tão longe de ser genuíno 
Mais vale sê-lo que parecê-lo



Provérbio provado rimado - MDCIX

Mesmo que nem a todos agrades 
Não pões a cortesia de lado 
E apesar das dificuldades 
Não gostas de ser ignorado 

Desejas que a tua vontade 
Seja no mínimo atendida 
Porém vês que na realidade 
Acontece ela ser preferida 

Analisa bem essas manias 
Vai revendo a tua posição 
Como o gato queres enguias 
E sequer espinhas te dão 



Provérbio provado rimado - MDCVIII

A inveja que é silenciosa 
Fica dentro a fermentar 
É a estirpe mais perigosa 
Dessa forma não vai estancar 

Vai mirando os bens alheios 
Não sentindo o próprio mal
É um dos defeitos mais feios 
A cobiça torna-se normal 

A sorte que os outros bafeja 
É considerada uma afronta 
E o que o invejoso deseja 
É tomar toda a gente de ponta 

A constante comparação 
Fá-lo menos merecedor 
Lembra a sua imperfeição 
Alimenta ainda mais rancor 

Deve ser uma triste existência 
Sentir tanta avidez e ganância 
Carregando no peito a ausência 
Que o faz ser topado à distância